Salvação Publica 1900


PORTUGUÊS:
Decorria o ano de 1900 quando, no Hipódromo de Vincennes, 14 elementos do Corpo de Salvação Pública do Porto (antecessor do actual Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto), sob o comando de Guilherme Gomes Fernandes, inspector dos serviços de incêndios da cidade Invicta, mediante convite endereçado a este pela Federação dos Bombeiros Franceses, participaram no Concurso Internacional de Bombeiros, inserido nas comemorações da Exposição Universal patente na capital francesa.
A prestação de provas verificou-se no dia 18 de Agosto, perante numerosa assistência, tendo como tema a extinção de um incêndio num prédio de 20 metros, com três salvamentos (duas pessoas no 5.º andar e uma no 6.º). Para o seu cumprimento, o júri estabeleceu o tempo máximo de 15 minutos.
Os bombeiros americanos (vencedores em três concursos) foram os primeiros a ser chamados, perfazendo 15 minutos. Seguidamente, os húngaros cumpriram o exercício em 16 minutos.
Portugal tratou-se do terceiro país a entrar em campo a fim de prestar provas. Reza a história que Guilherme Gomes Fernandes apitou e a equipa dirigiu-se de imediato para o esqueleto de madeira instalado no recinto, simulador do edifício incendiado, desenvolvendo o tema no tempo recorde de 2 minutos e 56 segundos.
Refira-se que a equipa não havia efectuado qualquer treino antes da prova e muito menos tinha conhecimento das condições do esqueleto.
Após o exercício, o público que se encontrava nas bancadas invadiu o recinto, dispensando calorosos aplausos aos bombeiros portugueses pela rapidez e eficiência demonstradas. Houve até quem, entre a multidão, afirmasse: "São bombeiros gatos."
Devido ao tempo realizado pelos portugueses, considerado inatingível, as restantes 17 equipas que ainda iriam desenvolver o tema acabaram por apresentar a sua desistência.
O presidente francês, saudando a equipa vitoriosa, ergueu o seu chapéu e disse: "Vivam os bombeiros portugueses. Viva Portugal!"
O mesmo chefe de Estado viria mais tarde, ao elogiar Guilherme Gomes Fernandes, durante o banquete de honra do concurso, a proferir outra não menos significativa expressão que a história regista nos seus anais: "Diga ao vosso Governo que, quando Portugal necessitar de alguma coisa da França, mande como seus embaixadores os seus bombeiros."
Como prémios, o Corpo de Salvação Pública do Porto trouxe para Portugal uma Taça de Sèvres, oferta do Presidente da República da França, e 1500 francos.

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