História do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto
Nos apontamentos para a História das Companhias de Incêndio da Cidade do Porto e de Vila Nova de Gaia, do Coronel de Artilharia, Henrique de Campos Ferreira Lima, Director do Arquivo Histórico Militar, datado de 1943, no que se refere à Cidade do Porto, lê-se.
" Na Provisão de 29 de Janeiro de 1728, documento adiante descrito, consta que na Cidade do Porto, havia desde data não indicada, uma bomba, servida por um certo numero de homens, eleitos pela respectiva Câmara com que se acudia aos incêndios.
Este homens gozavam de privilégios de isenção dos cargos do Concelho de Guerra, privilégios que o Tenente - Coronel, Bento Félix da Veiga, Provedor das Armas do partido do Porto, não quis conservar. Por este facto foi expedida, por El-rei D. João V, a referida provisão.
Esta Companhia era comandada por um chefe ( José de Azevedo ) que tinha o grau de Cabo.
Aconteceu entretanto, que o Tenente-Coronel, Bento Alves da Veiga que exercia as funções de Governador Militar, não quis sancionar estes privilégios, apesar de em uso há muito tempo e impôs ao Conselho Municipal que se solicitasse ao Rei D. João V que legislasse sobre esta matéria. Esta via foi seguida após parecer favorável do Coronel António Monteiro de Almeida, que era então o novo Governador.
É assim que uma ordenança real é publicada em 9 de Setembro de 1728, concedendo todos os privilégios em uso e estabelecendo o posto de Capitão da Companhia do Fogo ao antigo « Cabo », em recompensa da sua actividade podendo apresentar-se devidamente fardado nas situações de perigo e socorro.
Segundo um pequeno livro de Guilherme Gomes Fernandes, dedicado pelos Bombeiros Municipais do Porto aos seus camaradas do estrangeiro, editado em 1901 e impresso na Tipografia ( a vapor ) de José da Silva Mendonça, que existia entre a Rua do Almada e a Praça de D. Pedro ( actual Praça da Liberdade ), pode-se Ler
" A primitiva organização dum Serviço de Incêndio no Porto, data do século XV. A municipalidade não possuia ainda mais que uma bomba de braços que, em caso de incêndio, era conduzida e manobrada por oito serventes. Existia também uma Compamhia composta por 54 homens, que dos quais 40 estavam encarregados da condução de baldes para a alimentação da bomba, um para o lampião de iluminação em caso de perigo, 2 para manobrarem a bomba barçal, 2 com cordas para qindar a mangueira da bomba, 8 com machados e gadanhos e o último tinha por missão encher os barris. "
Assim, foi José de Azevedo nomeado Comandante da Companhia de Fogo, denominação que se aplicava ao pessoal recrutado para a extinção de incêndios.
O efectivo desta companhia foi gradualmente aumentando mas, não sendo serviço remunerado, o Governador concedia os mesmo direitos a todos que a constituíam.
Na ausência de qualquer controlo e por não existirem regras de disciplina, poucos homens entrava neste serviço com intenções sérias. A maior parte deles pretendiam apenas a obtenção de privilégios e, a troco de pequenos salários, faziam-se substituírem nas suas obrigações, não exercendo qualquer ação efectiva na proteção da cidade contra o perigo de incêndios.
A Câmara compreendeu que tinha de modificar tal estado de coisas e resolveu contratar equipas de operários que, em caso de incêndio, deveriam apresentarem-se nos quatro locais fixados para conduzirem e manobrarem as bombas.
Em 1853 a Câmara introduziu o sistema de alarmes das chamadas CAIXAS DE SINAIS. Construídas em ferro fundido e colocadas numa parede exterior das Igrejas e Capelas da Cidade, possuíam um tubo de ferro com ligação a um dos sinos do campanário, que permitiam dar as badaladas que serviam de alarme de fogo. O número de badaladas indicava a freguesia em que o fogo se localizava, o que estava na tampa da caixa. A chave desta estava na Casa da Guarda, onde os interessados se dirigiam em caso de fogo. Restos destas caixas ainda podem ser vistas na Torre dos Clérigos e na Capela de Nossa Senhora da Esperança, a da Igreja da Trindade está nos jardins do Quartel do batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, á Rua da Constituição.
Uma tença de 4 mil réis era dada ao primeiro a chegar ao local do sinistro
A Cidade não tinha ainda canalização de água e recorria aos aguadeiros, que forneciam água à população à razão de um tanto barril. Estes constituíam um verdadeiro exército disseminado por todos os quarteirões e eram obrigados a comparecerem nos incêndios a fim de abastecer de água as bombas. A titulo de compensação, estes aguadeiros tinham o direito a possuir uma bica especial nos fontanários da Cidade para venda de água a particulares. Formavam as Companhias da Batalha, Santa Teresa e S. Domingos, chefiadas pelos respectivos capazes.
Sempre que se manifestava um incêndio, os membros da Companhia de Fogo que faltavam à chamada eram detidos na antiga prisão eclesiástica durante alguns dias, conforme as circunstâncias. Caso reincidissem, eram mais severamente punidos e viam-se temporária ou definitivamente privados dos seus privilégios.
Mais tarde estas prorrogativas foram caindo em desuso e a Municipalidade que, entretanto, tinha estabelecido uma remuneração para cada vasilha colocada na bomba, viu-se na necessidade de cercear os direitos dos aguadeiros que se haviam tornado verdadeiros monopolistas da água da Cidade do Porto.
Esta organização manteve-se sem grandes alterações até 1875.
A Falta de uma regulamentação disciplinar adequada, da formação técnica necessária, de comandantes competentes e conhecedores de incêndios e a inexistência de um manual de manobras fazia com que o serviço fosse pouco eficaz. Tal estado de coisas provocou uma reacção da população que com Guilherme Gomes Fernandes à cabeça, criou um Corpo de Bombeiros Voluntários ( Bombeiros Voluntários do Porto ).
Este Corpo de Bombeiros de Imediato granjeou o respeito de toda a Cidade e logo se conseguiu o dinheiro necessário ao seu apetrechamento. Os equipamentos foram adqueridos na frança, Inglaterra e Alemanha e o Serviço de Incêndio Municipal ficou em desvantagem em relação a este corpo de formação particular.
Era nessa altura Presidente da Câmara o Engenheiro José Augusto Correia de Barros que tinha sido chefe do Serviço de Incêndios em Lisboa, onde deixara grande prestigio. Compreendendo que havia necessidade urgente de reoganizar completamente o Serviço de Incêndio Municipal, adquiriu máquinas e equipamentos, elaborou regulamentos e enviou a Lisboa alguns elementos para se familiarizarem com as manobras.
Nomeou, ainda Comandante do Corpo um Oficial de Engenharia o Capitão Eduardo Augusto Falcão que iniciou funções em 1879.
Esta foi a base do adequado Serviço de Incêndios da Cidade do Porto, já que a disciplina militar introduzida e a instrução que se passou a ministrar criaram a eficiência indispensável ao serviço dos bombeiros. Em 1885, sendo precária a saúde do Capitão Falcão, entendeu-se que se devia convidar para o substituir o sr.º Guilherme Gomes Fernandes então Comandante dos Bombeiros Voluntário do Porto.
Em 1885 Foi nomeado Inspector dos Serviços de Incêndio, já em 1889 Guilherme Gomes Fernandes apresentou um plano de reestruturação do Serviço de Incêndios, que se passou a denominar CORPO DE SALVAÇÃO PÚBLICA e que tinha os seguintes efectivos:
1 Comandante e Inspector do Serviço de Incêndio
2 Comandantes de Brigada
1 Médico, 1 capelão, 1 Chefe de Secretaria, 1 Porteiro, 2 Instrutores
4 Comandantes de Companhia, 20 Chefes de Turno, 20 Bombeiros de 1.ª Classe, 20 Bombeiros de 2.ª Classe, 20 Bombeiros de 3.ª Classe e 100 Bombeiros de 4.ª Classe
16 Quarteiros, 10 Cocheiros, 1 Banda de Musica com maestro e 20 componentes
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